Vida de Permissionário

Um ano se passou desde que atualizei o site pela última vez, principalmente por não estar mais no ambiente da auto-escola, que bem ou mal acaba tornando muito do trânsito parte do nosso dia-a-dia. Hoje vou contar os detalhes da vida do permissionário, que é aquele pobre coitado que gastou mais de R$1 mil para aprender (ou não) a dirigir e finalmente ser aprovado no exame do Detran…

Estima-se que 50% dos candidatos a motoristas fizeram a prova prática mais de uma vez para serem aprovados. Os motivos são variados, mas o nervosismo é o pior inimigo, como já mencionei anteriormente, associado à falta de treino e má vontade dos avaliadores.

Os que conseguiram superar esta etapa, após a alegria inicial, descobrem que nem tudo é um mar de rosas e o pesadelo só está começando, pois ao contrário de todos os outros motoristas, o permissionário não pode cometer erros.

O permissionário irá passar os próximos 365 dias que seguem a emissão da carteira com um único pensamento: Não ser multado. Nunca.

A razão disso é que, ao cometer uma infração grave ou gravíssima, ou ainda cometer mais de uma infração média, a permissão é cassada totalmente. Caso o indivíduo queira tirar a habilitação novamente, é necessário começar do zero (exame médico, psicotécnico, aulas teóricas, aulas práticas, exame teórico e prático), ou seja, gastar R$1 mil novamente!

O primeiro sentimento do permissionário é a injustiça.

A lei é totalmente adequada, porém injusta, pois ela só vale para os permissionários. Motoristas experientes, muitos da época na qual a habilitação era adquirida facilmente por meios alternativos (certamente você conhece alguém), podem cometer barbaridades várias vezes (3 infrações gravíssimas ou 4 graves) antes de perder a habilitação, enquanto o pobre inexperiente permissionário não se pode dar o luxo de errar.

Vale ressaltar que a lei faz sentido, pois às vezes um erro causa um acidente fatal, porém um permissionário, de modo geral é muito mais contido e menos imprudente que motoristas experientes, já que é a imprudência destes a maior causa de acidentes de trânsito. O correto seria que infrações gravíssimas cassassem a habilitação de qualquer um, seja permissionário ou experiente.

O segundo sentimento do permissionário é o medo injustificado

Mais do que qualquer outro, o permissionário vive a vida por um fio, como se fosse perder a habilitação a qualquer momento. Quanto mais difícil foi para o indivíduo tirar a habilitação, financeiramente ou psicologicamente falando, pior será o medo  de perdê-la, maior será a tensão e a chance de cometer erros, ou seja, o próprio sistema que é feito para proteger o trânsito acaba gerando condutores instáveis

E mais ainda, as figuras de controle do trânsito passam a ser avatares do medo, como pardais e radares, semáforos e os piores, os agentes de trânsito, já que muitos destes frequentemente estão mais preocupados com abonos salariais do que com a segurança do trânsito, principalmente em épocas do ano como festas e feriados prolongados. Permissionários causam acidentes em situações na qual seguir o livro de regras nem sempre é a melhor opção. 

O terceiro sentimento do permissionário é a privação

Pode não parecer importante, ou muitos motoristas de longa data já esqueceram, mas a habilitação é uma vitória, e muitas vezes mais do que uma ferramenta de mero conforto ou status, é uma ferramenta da liberdade para o jovem. Imagine então o que seria passar 1 ano se privando de dirigir, para evitar acidentes. Acredite, é o que muitos fazem…

Uma coisa é dirigir em cidades do interior ou nas ruas do bairro residencial, qualquer um faz sem medo, e outra totalmente  diferente é colocar um carro no meio dos bairros movimentados do Rio e São paulo. O direito de ir e vir do permissionário é limitado, ele só irá encarar situações como essas  se for muito confiante e preparado ou muito convencido e tolo.

O último sentimento do permissionário é o alívio

Passados os 365 dias o permissionário pode respirar em paz. Cerca de 18 meses após ter pisado na auto-escola, finalmente ele começará a conduzir em pés de igualdade de direitos e começará a entender como o trânsito funciona realmente.

Infelizmente, muitos destes  permissionários se esquecerão do que aprenderam e começarão a serem maus exemplos dentre tantos, causando acidentes e tragédias, com um sentimento de vingança, do tipo: “agora eu posso fazer o que quiser”…

O motivo deste post é dizer que eu entendo você, permissionário. Por isto deixo a seguinte mensagem:

A habilitação permanente não é um prêmio ou uma carta branca para a falta de cuidado, na verdade é um reconhecimento por fazer o que é correto e o que é a sua obrigação como cidadão.

Lembre-se que você, seus parentes e amigos estão andado pelas ruas, assim como os parentes e amigos  de muitas outras pessoas. Da mesma forma que você deseja que nada de mal aconteça com eles, não permita que nada de mal aconteça como próximo.

Vamos criar uma geração de jovens condutores responsáveis, que valorizam a vida humana e respeitem seus semelhantes.

Desta forma sim, vocês serão melhores que os comporadores de habilitação. E não há nada melhor que ser superior, há? Isto sim é um prêmio.

Boas festas e sejam responsáveis!

Facebooktwittergoogle_plusmail

One thought on “Vida de Permissionário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *